luta socialista

Senado aprova nomeação relâmpago de ex-funcionário demitido para diretoria da ANAC

O Senado aprovou, nesta terça-feira (19), a nomeação de Antônio Mathias Nogueira Moreira para a diretoria da ANAC em votação relâmpago — mesmo com um histórico que inclui demissão por favorecer crédito a parentes enquanto geria uma agência no interior da Bahia. A pressa em emplacar indicados revela o truque velho do centrão: ocupar órgãos independentes com quadros alinhados a interesses privados e clientelistas. A própria imprensa corrigiu uma informação inicial sobre de qual banco ele teria sido demitido: houve um erro na primeira versão que dizia ser da Caixa; o registro correto aponta para processo na Justiça do Trabalho por liberação de empréstimos em favor de um sócio (seu tio).

Votação acelerada e silêncio cúmplice

A sabatina na Comissão de Infraestrutura teve parecer favorável, mas no plenário a indicação encontrou resistência — não por zelo republicano, mas talvez por espetáculo político. Ainda assim, Davi Alcolumbre conduziu a sessão com a pressa de quem quer carimbar convênios antes que a luz do debate público ilumine demais o balcão. Não é coincidência: apressam nomeações quando o objetivo é blindar interesses, não fortalecer a instituição.

“Isso [a denúncia] é muito grave. Eu peço até que a gente possa suspender a votação para que os colegas possam ter uma análise melhor desses dados aqui. Eu acho que, por responsabilidade do Senado, sem fazer qualquer tipo de pré-julgamento, para que a gente possa ouvir, ver o processo com mais calma, que nós, casa revisora da República, possamos fazer a indicação correta para a ANAC” — Eduardo Girão (Novo-CE)

Do lado governista, o líder do PT Rogério Carvalho saiu em defesa do indicado, lembrando que a aprovação já havia passado pela comissão. “A gente não pode negligenciar a votação que teve de todos os senadores e o aval da Comissão de Infraestrutura que aprovou o nome dele para chegar ao plenário. Portanto, ilações, suposições que estão sendo levantadas, já passaram pelo escrutínio da comissão de infraestrutura” — Rogério Carvalho (PT-SE) É compreensível a defesa do PT por vias institucionais; porém, defender instituições públicas significa também exigir zelo absoluto por reputação e transparência. Não basta concordar com um resultado técnico quando há sinais claros de clientelismo.

E, claro, a direita moralista não perde a chance de posar de guardiã da ética quando convém. Sérgio Moro, sempre às voltas entre sua vaidade e suas alianças, afirmou que diretores de agências devem ter “reputação acima de qualquer suspeita”. “Aqui não se trata em discutir a responsabilidade dele, a presunção de inocência, mas eu entendo que qualquer pessoa que seja indicada para diretor de agência tenha que ter uma reputação acima de qualquer suspeita. A gente não está decidindo se ele é culpado ou não, mas nessas condições eu me sinto muito desconfortável em poder fazer um voto favorável” — Sérgio Moro (União-PR) Fica a pergunta: onde estava esse zelo quando era hora de privatizar, de desmontar estatais ou de proteger banqueiros amigos?

Agências reguladoras não podem ser reféns de apadrinhamento; são guardiãs de serviços públicos essenciais e devem servir ao interesse coletivo, não a cadeias de favorecimento.

A votação durou dez minutos e foi criticada por sua celeridade. Cidadãos que esperam transparência sabem o que isso significa: menos debate, menos escrutínio, mais portas abertas para que interesses privados imponham sua vontade. O episódio mostra como a tática é a mesma desde sempre — encher cargos com figuras de pouca confiança para facilitar negócios futuros. E se alguém ainda duvida, lembre-se das licenças ambientais e ampliações de pista: infraestrutura sem controle democrático é terreno fértil para negociatas.

Enquanto a gente exige mais democracia e controle social sobre agências e estatais, a direita golpista e seus aliados tentam enterrar qualquer freio. A tarefa é clara: fiscalizar, denunciar e mobilizar para que órgãos como a ANAC sejam instrumentos de soberania nacional e não balcões de influência. A nomeação foi consumada, mas a verdade não se cala — e a luta por instituições públicas fortes e transparentes continua!

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