luta socialista

PF realiza busca e apreensão contra Silas Malafaia e proíbe pastor de deixar o país

No Aeroporto Internacional do Galeão, a Polícia Federal cumpriu, na noite de quarta-feira (20), mandado de busca pessoal e apreensão de celulares contra o pastor Silas Malafaia. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito que apura o crime de coação no curso do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado — processo no qual Jair Bolsonaro e ex-integrantes do seu governo figuram como réus. Não é um detalhe isolado: é o desmantelar, passo a passo, de uma rede que transformou igrejas de fachada e influenciadores em máquinas de pressão contra a Justiça.

Abordagem no aeroporto

Malafaia foi abordado ao desembarcar de um voo vindo de Lisboa e conduzido às dependências do aeroporto para prestar depoimento à PF. Agentes federais apreenderam aparelhos eletrônicos, em medida que visa preservar provas digitais do que a investigação considera coação e tentativa de obstrução. Entre as medidas cautelares impostas, estão a proibição de deixar o país e a proibição de manter contato com outros investigados, ações pensadas para frustrar possíveis articulações de intimidação à autoridade judicial.

A cena tem um simbolismo político inescapável: o pastor que por anos se colocou como paladino da “liberdade” agora aparece no centro de uma apuração sobre pressões dirigidas aos processos que perseguem os autores do golpe. Não se trata de criminalizar a fé, mas de enfrentar a instrumentalização política de ministérios que viraram centros de propaganda e milícia ideológica. Quem usa púlpito para ordenar intimidações contra o Estado de Direito não pode continuar blindado por narrativas de “perseguição”.

Medidas cautelares e o parecer da PGR

A investigação segue com respaldo institucional: a Polícia Federal pediu as medidas ao STF e a Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente em parecer do dia 15. O procurador-geral, Paulo Gonet, apontou elementos que ligariam Malafaia a uma atuação coordenada com outros investigados. “Impõe-se concluir que estão associados no propósito comum, bem como nas práticas dele resultante, de interferir ilicitamente no curso e no desenlace da Ação Penal n. 2668 [da tentativa de golpe], em que o ex-presidente figura como réu”, disse Gonet.

Os relatos encontrados pela PF — diálogos e publicações — teriam colocado Malafaia na posição de orientador e auxiliar nas ações de coação e obstrução promovidas por Eduardo Nantes Bolsonaro e Jair Messias Bolsonaro, segundo o entendimento do procurador. É um encadeamento que explica por que, além das buscas, o juiz do caso optou por medidas que limitam deslocamento e contatos: evitar que a cadeia de comando da intimidação se rearticule.

A direita reacionária, que se apresenta como vítima da “censura”, é a mesma que organiza e orienta pressões contra ministros, procuradores e juízes. Não é coincidência que seus porta-vozes mais ruidosos acabem indo parar no banco dos investigados. O Brasil precisa desmontar o esquema de impunidade que protege milicianos políticos e pastores-braçais do bolsonarismo. Defender a Justiça não é silenciar vozes; é garantir que a lei valha para todos, inclusive para os que pregam contra ela.

Os acontecimentos no Galeão devem servir de alerta para a esquerda: a ofensiva conservadora é multifacetada e usa desde fake news até pressões religiosas para corroer instituições. É momento de articular uma resposta popular que combine defesa das garantias democráticas com um projeto de poder que avance além das eleições — e aqui a militância progressista, junto ao PT e à frente ampla, tem papel central para transformar vitórias institucionais em rupturas sociais reais.

Ao trazer à luz esse tipo de articulação, as autoridades mostram que assumir medidas firmes é possível. Resta à sociedade organizada transformar essa investigação em aprendizado político: não basta prender um operador; é preciso desmontar as redes e disputar corações e mentes nas bases. A luta contra a direita não é só jurídico-institucional — é cultural, social e estratégica. E se há uma certeza neste momento turbulento, é que ninguém ficará impune quando a tentativa de subverter a democracia encontra resposta firme das instituições e da mobilização popular.

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