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STF marca para quinta-feira interrogatório de deputados do PL acusados de desviar emendas públicas

Nesta quinta-feira (28), o Supremo Tribunal Federal coloca três deputados do PL no banco dos réus: Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE) serão interrogados por decisão do ministro Cristiano Zanin. Não se trata de picuinha política — é o desfecho de uma investigação que aponta para um esquema de desvio de emendas parlamentares com requintes de máfia: organização criminosa, corrupção passiva e um circuito de agiotas, blogueiros e empresários que lambuzou a verba pública destinada à saúde e a serviços municipais. O que vemos aqui é a cara mais feia do bolsonarismo e suas ramificações: corrupção explícita à custa da miséria alheia!

O esquema e a teia de propina

Em março, a 1ª Turma do STF decidiu, por unanimidade, transformar os três em réus. A denúncia da Procuradoria-Geral da República descreve um arranjo claro em 2020: foram exigidos R$ 1,66 milhão em propina para liberar R$ 6,67 milhões em emendas parlamentares ao então prefeito de São José de Ribamar (MA). Segundo as apurações, Josimar Maranhãozinho atuava como cabeça do esquema, interferindo até nas emendas de colegas. A Polícia Federal identificou que Bosco Costa utilizava a esposa e o filho como laranjas para operar parte dos recursos.

Relatórios da PF apontam práticas abjetas: cobrança de “retorno” aos prefeitos — inclusive com ameaças armadas — na ordem de 25% dos valores destinados, especialmente em emendas para a saúde. Um documento obtido pelo blog mostrou o roteiro da propina: agiotas emprestavam dinheiro aos parlamentares; em seguida, os parlamentares direcionavam emendas a prefeituras; por fim, os agiotas cobravam a fatura dos prefeitos. É a apropriação sistemática do dinheiro público para bancar redes de poder que socam os serviços essenciais da população.

Os indícios são sólidos: movimentações financeiras coerentes com o relato, uso de familiares para ocultar saques e uma lista de intermediários que confirma o caráter organizado do crime. Essas não são suspeitas frágeis; são peças que configuram um padrão de atuação empresarial e política que parece falar a mesma linguagem do bolsonarismo: enriquecimento e impunidade.

“O dispositivo antecede o encerramento definitivo da instrução processual e o próprio oferecimento de alegações finais”, escreveu o ministro Cristiano Zanin ao marcar os interrogatórios, ressaltando que o processo já está em sua fase final. “Não se cogita de prejuízo, nem sequer em tese, com a realização do ato ora agendado. Os requerimentos da defesa não possuem o condão de simplesmente impedir a realização dos interrogatórios.” É hora de enfrentar os fatos, não de protelar.

A política como fábrica de negócios escusos não pode continuar; quem usou o mandato para montar balcões de propina precisa ser responsabilizado.

A marca registrada deste caso é a convergência entre poder político local e operadores do mercado ilegal — agiotas e empresários que transformam emendas em cartão de crédito da corrupção. É também um lembrete de que estruturas partidárias como o PL continuam sendo lugares férteis para práticas clientelistas quando não existe controle social e quando a Justiça age tardiamente, permitindo que o estrago seja grande antes de qualquer medida.

Se há algo a celebrar, é que o STF avançou — mas isso não basta. A investigação e o julgamento são passos necessários, porém insuficientes para varrer do mapa político essa lógica de roubar do público para enriquecer uma turma ligada à direita neoliberal e miliciana. Precisamos de uma frente política que lute não só para punir, mas para desmantelar as redes de poder que permitem esses esquemas — e aí entra o papel do campo progressista: fortalecer o Estado, as estatais e políticas públicas que revertam a lógica privatizante e de apadrinhamento.

O ato de colocar esses deputados sob o crivo do interrogatório é uma oportunidade política: que se transforme em lição para o povo e em alerta para quem acha que o mandato é balcão de negócios. Chega de impunidade — que a Justiça prossiga, e que a esquerda organizada aproveite a chance para avançar não apenas nas ruas, mas na disputa institucional, empurrando esse país para uma virada em que o serviço público valha mais do que o lucro dos mesmos de sempre.

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