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Justiça italiana mantém Carla Zambelli presa por risco máximo de fuga em processo de extradição

A Câmara de apelo italiana decidiu que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) seguirá presa enquanto o pedido de extradição formulado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes é analisado. A decisão, tomada um dia após audiência com três juízes, baseou-se na avaliação de risco de fuga e em laudos médicos que, segundo a corte, atestam que a parlamentar tem condições de permanecer detida em unidade que oferece atendimento adequado.

Audiência e argumentos

Os magistrados italianos entenderam haver “grau máximo” de risco de fuga caso Zambelli fosse colocada em liberdade, motivo pelo qual mantiveram a prisão preventiva. Os juízes também avaliaram laudos clínicos e aceitaram o parecer do perito responsável pela unidade de saúde onde ela está. “Em termos gerais e abrangentes, a equipe que trabalha na unidade onde a paciente está internada garante a administração correta de terapias farmacológicas, o monitoramento básico e especializado constante da saúde e a administração correta e consistente das terapias estabelecidas” — perito médico do Estado italiano.

A defesa havia pedido que Zambelli aguardasse em liberdade a decisão italiana, alegando falta de condições materiais para qualquer fuga — tese rebatida pela promotoria local, que alertou os juízes sobre o risco de fuga da deputada. O advogado da parlamentar, Cristiano Pagnozzi, relatou que o perito falou por cerca de dois minutos e disse que Zambelli “pode continuar em cárcere, não teve porque, como ou onde”, segundo ele. “Ela não tem nem passaporte italiano, nem passaporte brasileiro e não tem dinheiro porque o Alexandre de Moraes [ministro do STF] bloqueou as contas dela e do marido. Então, ela não tem como ir para outro lugar” — advogado Cristiano Pagnozzi.

O pedido de extradição foi formalizado pelo ministro Alexandre de Moraes, depois de Zambelli deixar o país antes de a Justiça brasileira efetivar a prisão. A disputa agora corre entre os trâmites jurídicos internacionais e a narrativa midiática que a bolsonarada tenta construir sobre “perseguição política”. Mas não se enganem: o que está em jogo vai além de uma figura midiática em busca de palco no exterior. É o teste da capacidade do Estado de responsabilizar atores que, de dentro do Congresso, alimentaram ataques às instituições e à democracia.

A Itália decidiu manter a prisão com base em riscos objetivos e pareceres médicos; não é uma novela política para enganar a opinião pública. Não se trata apenas de uma deputada em trânsito internacional: trata-se de um símbolo do bolsonarismo em fuga da Justiça.

A ironia é deliciosa: aqueles que por anos pregaram o “liberou geral” para crime e desordem agora invocam fragilidade e perseguição quando a lei bate à porta. A direita radical, que transformou teatralidade e fake news em política, agora busca escapatória fora do país. E como sempre, encontra cobertura e palanque em meios que abrigam e romantizam o extremismo. Enquanto isso, o processo legal segue — e cabe ao aparato judicial, dentro e fora do Brasil, precisar se manter firme contra os privilégios e blindagens políticas que a direita sempre demandou.

Se Lula e o PT aparecem aqui como forças centrais, não é por afinidade com o espetáculo midiático, mas pela chance histórica de aprofundar a disputa política contra o bolsonarismo e suas ramificações. É preciso aproveitar cada reviravolta jurídica para desmascarar os argumentos dessa direita: não há cidadania acima da lei, nem imunidade para quem promove ataques às instituições democráticas.

A seguir, caberá à Justiça italiana decidir sobre a extradição para o Brasil. Zambelli permanecerá presa até que essa decisão seja tomada, e a expectativa é que o processo transite entre recursos e incidentes típicos de casos internacionais. Para nós, militantes e jornalistas comprometidos com a democracia, esse episódio é um lembrete claro: desmontar a máquina conservadora exige persistência — nas ruas, nas urnas e nos tribunais. Quem semeou a barbárie não deve esperar passaporte para escapar das consequências.

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