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Brasil avança para aplicar Lei de Reciprocidade Econômica contra EUA e anuncia medidas emergenciais

O governo federal reagiu com medidas que misturam diplomacia e política econômica: além de iniciar o processo para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, Brasília vai comprar diretamente os produtos mais atingidos pelo chamado “tarifaço” imposto pelos americanos. É a resposta pragmática de um país que não aceitará ficar de joelhos diante de chantagens comerciais — e que precisa defender sua produção, seus trabalhadores e suas estatais frente aos ataques de uma direita que só sabe fazer politicagem internacional.

O que está em curso

Na prática, o Ministério das Relações Exteriores enviou à Camex (Câmara de Comércio Exterior) o pedido para avaliar a aplicação da Lei de Reciprocidade. A Camex tem 30 dias para decidir se aciona a legislação. O Brasil notificará oficialmente os Estados Unidos sobre o início do processo. Enquanto isso, o governo já anunciou medidas emergenciais de socorro aos setores mais prejudicados — prorrogação de prazos tributários, linhas de crédito específicas e programas de compras públicas de alimentos.

“Os diplomatas acreditam na medida como uma forma de abrir um caminho de diálogo com os americanos, que têm evitado negociações sobre o tema.” — reportagem da TV Globo.

O mote do governo é claro: reagir sem subserviência e proteger a produção nacional. Nem chantagem nem rendição! E é preciso lembrar o contexto: o tarifaço entrou em vigor em 6 de agosto, depois que o presidente dos EUA anunciou impostos adicionais sobre produtos brasileiros, em uma medida que foi justificadamente vinculada — por Washington — às investigações sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua participação em tentativa de golpe em 2023.

Mesmo com uma lista de exceções no decreto americano — incluindo suco de laranja, petróleo, peças de aeronaves e madeira — itens importantes como o café foram impactados. O golpe econômico atingiu milhões de trabalhadores e empresas que dependem do mercado norte-americano.

“Lula já havia solicitado avaliações sobre possíveis medidas nos setores de óleo e gás, farmacêutico e agrícola.” — blog da Ana Flor.

Entre as alternativas debatidas internamente, há medidas contundentes: desde compras públicas para escoar a produção até a suspensão temporária de direitos de propriedade intelectual em setores estratégicos — o que poderia incluir a quebra de patentes de medicamentos e de defensivos agrícolas. Sim, é uma opção radical — e necessária quando grandes potências usam a economia como instrumento de pressão política.

A nossa defesa não é mera proteção corporativa: é defesa do trabalho, da soberania e das estatais que mantêm serviços essenciais e tecnologia sob controle público. Privatizações não são solução; são problema! O discurso da direita sempre empurra o país para abrir mão de instrumentos de política pública justamente quando eles são mais necessários.

Para além das medidas econômicas, há um componente político: o governo Lula/PT está se posicionando como protagonista na disputa geopolítica e na defesa de um modelo de desenvolvimento que priorize emprego, produção nacional e soberania tecnológica. É um avanço que precisa ser politizado — não apenas tecnocrata. Mobilizar sindicatos, movimentos sociais e os setores produtivos é essencial para transformar resistência em estratégia duradoura.

A compra pública de alimentos anunciada em pacote do governo é um mecanismo imediato de alívio para quem produz e para quem consome. Ao mesmo tempo, as linhas de crédito e as prorrogações fiscais dão fôlego para atravessar a tempestade enquanto se busca uma solução diplomática e comercial.

A batalha não é só comercial: é ideológica. A direita, com sua vocação entreguista e submissa aos interesses estrangeiros e bilionários, quer nos empurrar para aceitar perdas e desmontes. Responder com políticas públicas, proteção à produção e intervenção estratégica do Estado é o caminho para defender a economia popular e retomar o desenvolvimento soberano. Lula e o PT não são apenas uma alternativa eleitoral — estão sendo colocados como parte central de uma nova etapa de luta contra a lógica do capital que privilegia lucros em detrimento da vida.

A hora é de união entre Estado, movimentos e trabalhadores. Quem pensa que ficará tudo na diplomacia fria e nos escritórios está enganado: essa disputa será feita também nas ruas, nas fábricas e nas roças. Se eles atacam nossos mercados, respondemos com soberania e solidariedade.

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