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Orçamento 2026: governo anuncia R$ 85,5 bilhões em investimentos, mas valor é mínimo exigido por lei

O governo federal enviou ao Congresso a proposta do Orçamento de 2026 e com ela vieram números que precisam ser debatidos com clareza e combatividade. O salário mínimo está projetado para subir para R$ 1.631 no próximo ano — uma vitória para a população, mas insuficiente diante da urgência de restaurar poder de compra e apagar os danos causados pelo bolo de arrocho e pelo governo das elites! Além disso, o Orçamento prevê R$ 85,5 bilhões em investimentos públicos para 2026, mas é preciso entender o contexto: esses recursos são parte das chamadas despesas discricionárias, ou seja, ficam sujeitos a contingenciamento quando os defensores do mercado e do teto fiscal apertam o cinto do Estado. R$ 85,5 bilhões é o piso do mínimo exigido pelo arcabouço fiscal — 0,6% do PIB — e não uma demonstração de vontade transformadora. Por que aceitar o mínimo quando precisamos virar o jogo contra a lógica da austeridade que sempre serve aos ricos?

Prioridades de aplicação

O governo aponta o Novo PAC como prioridade: obras públicas que foram sabidamente abandonadas, atrasadas ou paralisadas nos anos recentes. Há uma intenção clara de retomar projetos que geram emprego e produção, o que é fundamental numa plataforma que precisa reconstruir o país após as políticas de privatização e saque. Mas cabe perguntar: por que não fazer mais? Em 2023 a equipe de transição de Lula chegou a anunciar a intenção de subir para cerca de R$ 100 bilhões — 1% do PIB — e não foi isso que se materializou. A realidade política e fiscal já mostrou que a direita e seus amanuenses no mercado vão atacar qualquer tentativa de ampliar o Estado produtor e regulador. Precisamos blindar essas verbas e defender estatais como instrumentos de interesse público, não deixá-las na mão dos especuladores e bilionários de sempre.

Destaques dos investimentos em infraestrutura

O Plano do Novo PAC no Orçamento Fiscal e da Seguridade Social somaria R$ 77,6 bilhões. Entre os principais itens estão:
– Rodoviário: R$ 11,3 bilhões para manutenção e ampliação da malha federal, com pavimentação projetada de 16.919 km — investimento que poderia ligar produção e mercados populares sem abrir mão do planejamento público.
– Ferroviário: R$ 417,2 milhões para projetos como Ferrovia Norte-Sul e FIOL/FICO — números modestos frente ao que precisamos para um transporte de cargas eficiente e democrático.
– Aquaviário: R$ 656,5 milhões para portos e hidrovias — vital para reduzir custos e fortalecer soberania logística.
– Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF): R$ 787 milhões para o Eixo Norte e R$ 53 milhões para o Eixo Leste — água é vida, e esses investimentos não podem virar moeda de troca em acordos com o mercado.
– Habitação (Minha Casa, Minha Vida): R$ 5,6 bilhões para o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), com previsão de contratação de 28.109 novas unidades — um passo importante, mas ainda distante do tamanho do déficit habitacional que enfrentamos.

É urgente que quem se coloca ao lado das grandes maiorias não trate o Orçamento como mera contabilidade administrativa. Precisamos de coragem política para expandir investimentos, reestatizar quando necessário e usar a máquina pública para gerar emprego, tecnologia e soberania — ao contrário do canto da sereia privatizante que sempre promete eficiência e entrega só precarização.

O desafio é político: transformar esse R$ 85,5 bilhões e as rubricas do Novo PAC em instrumentos permanentes de desenvolvimento e não em migalhas que se perdem diante do próximo aperto fiscal. O governo Lula e o PT têm um papel central aqui — não apenas para recuperar o que foi destruído, mas para impulsionar uma nova etapa de luta anticapitalista no Brasil, onde estatais, investimento público e políticas sociais sejam armas para derrotar a direita e seus projetos de destruição social. Vamos exigir que esses recursos sejam ampliados, executados e protegidos! Salário mínimo e investimento público não são favores – são instrumentos de justiça social.

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