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Moraes abre julgamento da trama golpista com alerta contra impunidade e coação autoritária

O julgamento que começou nesta terça-feira (2) contra a trama golpista de Jair Bolsonaro abriu-se com o tom que a hora exige: firmeza institucional e advertência clara aos que acreditaram que poderiam rasgar a Constituição sem pagar o preço político e jurídico. Alexandre de Moraes, relator do processo, fez um discurso que não se limitou a tecnicismos — foi um recado direto à extrema direita e às suas tentativas de transformar o Brasil numa brincadeira autoritária. O processo pode se estender até 12 de setembro, e a leitura do relatório durou 1h27, como prova de que o Supremo não vai se deixar levar por pressa ou por pressões midiáticas.

A pacificação exige a Constituição

Moraes lembrou o passado recente do país e deixou a pedra no sapato dos apologistas do golpe: a “pacificação” real só vem quando se respeita a Constituição, se aplicam as leis e se fortalecem as instituições — não quando se barateia a democracia com anistias de camarim. “A impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação”, declarou Alexandre de Moraes, sublinhando que tolerância com a violência política é convite para novas rupturas. Permitir impunidade seria assinar o atestado de falência da própria democracia.

A mensagem também era dirigida aos que, com pose de mártires, atacam a Justiça quando lhes convém e pedem “tranquilidade” quando perdem a gritaria: pacificação não é sinônimo de apaziguamento covarde. Como Moraes alertou, confundir paz com impunidade é plantar as sementes de novos golpes. “Respeito à Constituição Federal e, mais, significa incentivo a novas tentativas de golpe de Estado”, frisou o ministro.

Coações, chantagens e o jogo de cena bolsonarista

O relator não fulminou apenas retórica vazia: apontou a tentativa de coagir o Supremo com ações traiçoeiras e até com interferência de agentes externos. Quem imaginou que empurrando pressão interna e externa poderia submeter o funcionamento da Corte ao crivo de outro Estado quebrou a cara. Eduardo Bolsonaro, em viagem aos EUA, não esconde o objetivo: buscar apoio e anistia para o pai. Assim é a direita: internacionaliza a vergonha para tentar domesticar a lei.

Quem pensa que vai negociar soberania com chantagem está no caminho errado — e esse caminho leva à derrota. A arrogância dos que atacaram as urnas e incendiaram as praças para instaurar um regime autoritário encontrou ontem a resposta do Estado de Direito. E é preciso dizer: essa resposta não nos dá conforto automático — exige vigilância e mobilização popular contra as redes bolsonaristas que tentam se reciclar.

“Clima é de tranquilidade no plenário durante leitura do relatório de Alexandre de Moraes”, comentou o jornalista Valdo Cruz, registrando que, apesar do teatro de ameaças, o tribunal manteve a rotina do devido processo legal. Isso é parte do recado: transparência e publicidade são antídotos contra a impunidade.

Relatório, rito e o que vem depois

A leitura do relatório durou 1h27 e resumiu a tramitação do processo, incluindo pedidos das defesas e decisões da relatoria. Moraes deixou claro que o rito seguido é o mesmo das outras 1.630 ações relacionadas ao 8 de janeiro de 2023, rebatendo a narrativa de celeridade anômala levantada por aliados de Bolsonaro. O julgamento seguirá seu curso, com ampla cobertura e controle social — exatamente o que incomoda a extrema direita.

O que se desenha para o país é um teste: as instituições mostram força, mas somente uma mobilização popular organizada e articulada poderá assegurar que a derrota do bolsonarismo se transforme em avanço democrático real. Lula e o PT não são um fim em si — são, como devíamos sempre lembrar, ferramentas fundamentais para abrir espaço a uma nova etapa de lutas populares. Vamos ocupar esse espaço? Ou vamos esperar que os barões da mídia e os bilionários de direita recomponham suas forças no vácuo da passividade?

A lição do dia é clara: não cedemos à intimidação, não aceitamos impunidade e não descansaremos enquanto as estruturas da audácia golpista não forem desmontadas. A batalha institucional segue, e nossa responsabilidade é transformá-la em política de massas — para que a democracia não seja apenas defendida no Supremo, mas consolidada na vida do povo.

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