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Quem é Nelson Wilians, advogado investigado pela PF, capa da Forbes, figura na herança de Gugu e dono de coleção de obras eróticas

A Polícia Federal cumpriu mandados nesta sexta-feira (12) em uma operação que sacode o pedestal dos poderosos: o advogado Nelson Wilians, com mais de 1,5 milhão de seguidores no Instagram, teve endereços vasculhados e objetos apreendidos no bojo da chamada Operação Cambota, que investiga um esquema de fraudes e desvios do INSS. Entre o luxo ostentado nas redes e as alegações das autoridades, surgem carros importados, obras de arte — possivelmente de nomes do modernismo brasileiro — armas registradas e volumes de dinheiro que ajudam a contar uma história que, infelizmente, já conhecemos: riqueza acumulada às custas dos direitos dos mais pobres. Não é apenas um caso de corrupção: é o retrato de uma sociedade onde privilégios se transformam em impunidade.

O que foi apreendido

A lista de bens retirados pelas equipes da PF faz qualquer amante de escândalo arregalar os olhos: Ferrari, Porsche e um Rolls-Royce avaliado em cerca de R$ 11 milhões — com banco de couro e teto estrelado, para quem precisa dormir olhando para o céu enquanto o resto do país conta as migalhas. Também foram encontrados mais de R$ 240 mil em reais, US$ 20 mil e € 22,6 mil; garrafas de vinho raras; esculturas eróticas; e ao menos uma arma de grande calibre registrada em nome de Wilians. Peritos consultados pela imprensa apontaram que algumas pinturas podem ser atribuídas a Cândido Portinari e Emiliano Di Cavalcanti, o que, se confirmado, elevaria o valor do acervo a milhões. Enquanto isso, aposentados — vítimas no centro da investigação — perdem centavos do seu benefício sem saber como.

“Obras de Portinari podem ser avaliadas entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, dependendo do tamanho, da técnica empregada e da fase da produção”, disse a perita Suzana Pirani Meyer Castilho Garcia, da Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo.

O esquema investigado

A PF e a Controladoria-Geral da União apontam que associações e entidades criavam cadastros fraudulentos, com assinaturas forjadas, para descontar mensalidades direto da folha de pagamento de aposentados e pensionistas. Aponta-se o pagamento de vantagens indevidas a servidores do INSS, a criação de associações de fachada e a infiltração de descontos que muitas vezes nem eram percebidos pelos idosos. Segundo as apurações, o rombo entre 2019 e 2024 pode chegar a R$ 6,3 bilhões — um número que deveria envergonhar qualquer defensor do mercado sem controle.

Dois mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo e no Distrito Federal, com autorização do ministro do STF André Mendonça. Foram presos, entre outros, o empresário Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, apontado pela PF como facilitador do esquema. Em Brasília, os agentes encontraram ainda carros e dinheiro em espécie.

“A defesa do empresário Maurício Camisotti afirma que não há qualquer motivo que justifique sua prisão… a defesa reitera que adotará todas as medidas legais cabíveis”, diz a nota enviada pelos advogados de Camisotti.

“Em relação ao mandado de busca e apreensão, Nelson Wilians esclarece que tem colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência”, diz a nota da defesa do advogado, que ressalta tratar-se de medida investigativa sem juízo de culpa.

O caso expõe a velha e perversa conjunção entre interesses privados, aparatos estatais capturados e a normalização do enriquecimento à sombra do erário. Enquanto setores reacionários pedem menos Estado e mais “eficiência” para justificar privatizações, aparece nos autos uma demonstração clara de por que precisamos de órgãos públicos fortes, fiscalização séria e rastro claro do dinheiro. Quem esquece que estatais e serviços públicos fortes servem justamente para proteger aposentados e vulneráveis está torcendo pela mercantilização completa dos direitos.

A narrativa ainda será definida nos autos, com perícias que atestarão autenticidade das obras e investigações que elucidarão responsabilidades. Mas o episódio já deixa duas lições: a primeira, óbvia, é que o luxo exibido por alguns muitas vezes tem preço pago por muitos; a segunda, política, é que só uma mobilização popular e um Estado comprometido com o interesse público — e não com os cofres dos poderosos — poderão arrancar essa sujeira do sistema e garantir justiça para quem mais precisa.

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