Os ministros do Supremo Tribunal Federal já esperavam por isso: a escalada da pressão externa contra o Brasil, capitaneada pela extrema-direita estadunidense de Trump e seus aliados, só tende a aumentar. Enquanto a Ação Penal do Golpe entra na reta final — com a entrega das alegações finais e o relator Alexandre de Moraes se preparando para votar —, Washington decide virar o jogo político por fora, revogando vistos e tentando chantagear decisões soberanas do Judiciário. Quem ganha com isso? Só os que querem varrer a democracia para favorecer milicianos, privatistas e os mesmos barões do capital que saqueiam nosso país.
Pressão americana e resposta do STF
Do lado do Supremo, há um rastro de frieza e firmeza: ministros e assessores garantem não alterar cronogramas por pressão externa. “Ainda vai piorar muito”, prevê um magistrado do Supremo. A previsão tem sabor de denúncia: a intervenção diplomática não é um ato isolado, é parte de uma campanha articulada contra o governo Lula e contra a própria investigação do golpe. “Não vamos mudar uma linha do previsto só porque o Trump quer salvar o [Jair] Bolsonaro”, disse um assessor de um ministro do STF. Essa é a resposta institucional — necessária, mas insuficiente se a mobilização popular e parlamentar não acompanhar.
A manobra concreta veio via secretário de Estado Marco Rubio: o governo Trump anunciou que vai revogar vistos de servidores ligados ao programa Mais Médicos, acusando-os de integrar um esquema de “trabalho forçado” relacionado a médicos cubanos. “O Departamento de Estado também está tomando medidas para revogar vistos e impor restrições de visto a vários funcionários do governo brasileiro e ex-funcionários da OPAS cúmplices do esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano. O Mais Médicos foi um golpe diplomático inconcebível de ‘missões médicas’ estrangeiras”, publicou Marco Rubio no X. Tradução livre: é a diplomacia do tapa na cara — a mesma que já havia cassado vistos de oito ministros do STF.
É uma agressão clara à soberania brasileira e um ataque orquestrado ao combate ao bolsonarismo. Trump e sua turma não querem debate, querem influência. Querem um Brasil subserviente aos interesses dos bilionários e das grandes corporações. Querem nos impor narrativas e punir quem ousa investir no papel do Estado e na solidariedade internacional.
Enquanto isso, no plano interno, as respostas políticas começam a aparecer: aliados do governo temem que a campanha não pare por aí. “Eles não vão parar, por isso o Congresso tem de punir Eduardo Bolsonaro”, defende um aliado de Lula. A ofensiva conta com a articulação do clã Bolsonaro nos EUA — Eduardo Bolsonaro permaneceu mais tempo do que deveria nos Estados Unidos após licença parlamentar, alimentando novas ações contra ele. O líder do PT, Lindbergh Farias, já protocolou um novo pedido de cassação do mandato do filho do ex-presidente, alegando abandono de função — é a terceira iniciativa nessa linha.
A cena é um painel do que enfrentamos: imperialismo midiático-diplomático de um lado, bancada da morte e seus tentáculos no Brasil do outro. E no epicentro, um STF pressionado e um governo que, mesmo longe de ser perfeição, representa um ponto de avanço contra privatizações e contra a pilhagem neoliberal. Lula e o PT são hoje não apenas alternativa eleitoral, mas o eixo de articulação para uma nova etapa de luta anticapitalista no Brasil.
Não podemos aceitar que interesses estrangeiros ditem a política interna nem que a extrema-direita use chantagem para impedir julgamentos sobre um golpe. A saída passa por mobilização popular, unidade parlamentar democrática e defesa intransigente das instituições públicas. É hora de enfrentar a intervenção, punir quem colabora com ela e avançar na reconstrução de um projeto nacional que priorize serviços públicos, estatais fortes e soberania — sem recuos, sem trégua e com a disposição de quem sabe que a democracia só se defende na luta.