luta socialista

STF retoma julgamento de Carla Zambelli por uso ilegal de arma contra eleitor na véspera do 2º turno de 2022

Na reta final de mais um capítulo do confronto político no Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) volta a julgar nesta sexta-feira a ação penal contra a deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) pelo episódio em que apontou uma arma para um apoiador de Lula na véspera do segundo turno de 2022, em São Paulo. O caso, relatado pelo ministro Gilmar Mendes, envolve os crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal — e não é apenas um episódio isolado de violência: é parte do padrão autoritário que tenta normalizar a intimidação contra adversários políticos.

O julgamento e o episódio

Na calçada dos Jardins, uma cena que rodou o país revelou o que a extrema-direita tem de mais perigoso: um representante público sacando arma contra um cidadão por ser eleitor do lado “errado”. As imagens são claras e chocantes. Essa não é política, é intimidação armada contra adversários! O julgamento começou em março e já há maioria formada pela condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão, além da cassação do mandato — voto acompanhado pelos ministros Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. Só um pedido de vista do ministro Nunes Marques interrompeu a conclusão do processo, que agora retorna para a etapa final de deliberação.

A gravidade do caso transcende a figura individual de Zambelli: trata-se de uma tentativa explícita de transformar medo em ferramenta política. Quem aplaude, relativiza ou busca justificativas esfarrapadas para esse tipo de ato está assinando o atestado de insanidade democrática da direita brasileira. Não nos enganemos: o que está em julgamento é a possibilidade de que políticos eleitos acreditem poder intimidar e castigar cidadãos sem pagar preço.

Condenação anterior, extradição e o que vem pela frente

Este não é o primeiro veredito duro contra Zambelli. A Primeira Turma do STF a condenou em definitivo por envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um episódio em que, segundo a Procuradoria-Geral da República, ela orientou o hacker Walter Delgatti Neto a inserir documentos falsos, inclusive um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, com o objetivo de desacreditar a Justiça e incitar atos antidemocráticos. A pena foi pesada: 10 anos em regime fechado, perda do mandato, inelegibilidade e indenização de R$ 2 milhões por danos morais e coletivos — e essa decisão já é definitiva, sem possibilidade de recursos.

Zambelli está presa na Itália desde 29 de julho, aguardando os trâmites de extradição para cumprir a pena imposta no caso CNJ. Se vier ao Brasil, além de perder os direitos políticos e o mandato, poderá ter outra condenação somada caso o STF confirme a pena pelo episódio da arma. A direita precisa ser desnudada e responsabilizada!

Para nós que militamos na luta socialista, a responsabilização de quem ataca instituições e cidadãos é necessária não por vingança, mas por defesa da democracia e dos direitos populares. Não é aceitável que figuras públicas usem o aparato do medo para tentar calar vozes e cercear a participação política. Defender o Estado de Direito e as estatais, combater a privatização e enfrentar os bilionários que financiam esse caldo golpista fazem parte da mesma batalha: garantir que a política seja instrumento para a maioria, não bengala para extremistas.

O desfecho do julgamento no STF será mais um teste para a justiça brasileira e para a capacidade da esquerda de transformar vitórias judiciais em avanços políticos e organizativos. Não basta ver a direita derrotada nos tribunais; é preciso construir um projeto popular capaz de desmontar as bases econômicas e culturais que alimentam esse fascismo moribundo. Enquanto isso, que o processo sirva de aviso: usar arma contra eleitor custa caro — na cadeia, nas urnas e na história.

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