luta socialista

Alexandre de Moraes faz piada com influenciador ‘advogado do Xandão’ durante encontro no STF

O encontro entre Alexandre de Moraes e influenciadores digitais no Salão Branco do STF é a perfeita síntese de uma política pública convertida em espetáculo. Enquanto o país vive crises profundas — desemprego, ataques aos serviços públicos e a direita fascistizante escalando sua narrativa de ódio — o Supremo resolve chamar criadores de conteúdo para uma sessão de fotos, tours e ensaios de popularidade. O resultado? Uma mistura de assessoria de imagem com show político, justamente quando parte da extrema-direita externa e interna tenta desmontar as instituições democráticas.

Influencers e espetáculo

O evento “Leis e Likes: o papel do Judiciário e a influência digital”, que reuniu 26 influenciadores com mais de 18 milhões de seguidores só no Instagram, transformou o STF em estúdio. Foi ali que Moraes trocou gracejos com Mizael Silva, o humorista que faz o personagem “advogado de Alexandre de Moraes”. “Você tá bem de advogado, estou precisando mesmo […] para me defender nos EUA” — Alexandre de Moraes. E o efeito troll veio de volta: “O visto vai ser renovado” — Mizael Silva. Piada pronta, selfie, viral, fim do expediente.

Não dá para não ver a ironia: um ministro marcado por ser alvo direto das sanções do governo Trump — que lhe revogou o visto e invocou a lei Magnitsky, em nome de uma suposta “caça às bruxas” contra bolsonaristas — agora ensaia uma aproximação com o público por meio de quem faz números nas redes. É legítimo tentar dialogar com a sociedade, mas quando isso vira estratégia de relações públicas que busca inflar índices de imagem, surge a dúvida: o STF quer justiça ou quer trending topic? A teatralização do Judiciário como remédio para crises de legitimidade é, no mínimo, perigosa.

O roteiro estava pronto: bate-papos sobre polarização, liberdade de expressão, inteligência artificial, combate à desinformação e “influência responsável”, além de uma tour pela Corte e fotos com ministros como Barroso e Carmem Lúcia. Tudo muito bem produzido para alcançar públicos que, segundo o próprio STF, dificilmente veriam as mensagens institucionais. Em 2024, diz o tribunal, a edição anterior aumentou em 30% a imagem positiva do STF na imprensa e gerou centenas de conteúdos dos influenciadores. Mas números não respondem o essencial: quem decide os limites entre liberdade e responsabilização? Quem dá conta das desigualdades estruturais que alimentam a desinformação?

Os dados também não mentem: Pesquisa Datafolha de 5 de agosto apontou que 36% dos brasileiros reprovam o desempenho do STF — alta de oito pontos em relação à pesquisa anterior — enquanto apenas 29% aprovam e 31% consideram regular. Esses índices mostram que a simples operação de marketing digital não resolve o problema de fundo: a crise de confiança é política e social, não se combate apenas com likes e lives.

Enquanto isso, a direita continua sua ofensiva, com milícias ideológicas e ataques constantes às instituições e aos direitos sociais. E é aqui que o papel de Lula e do PT precisa ser lembrado: não como uma alternativa eleitoral qualquer, mas como força central para articular uma ofensiva democrática e anticapitalista, que defenda estatais, serviços públicos e enfrente a privatização e os bilionários que financiam o ódio. Se o STF busca se reaproximar do povo, que isso venha numa aliança com políticas populares que respondam às urgências reais do país — não só em aparições para Instagram.

A foto com o influencer, o gracejo no Salão Branco e as hashtags mostram bem onde estamos: numa guerra de narrativa, onde a direita tenta dominar corações e mentes pelas redes. Mas não seremos reduzidos a meros espectadores desse espetáculo midiático. É preciso disputar a comunicação, sim, mas com conteúdo, com luta social organizada e com políticas que transformem a vida das pessoas — não com selfies protocolares que viram manchete e esvaziam o debate público. Quem quiser ganhar a batalha pela democracia saberá que isso não se faz apenas com likes; faz-se com mobilização, projetos populares e enfrentamento direto às forças que querem nos destruir.

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