luta socialista

China reafirma parceria com Brasil para enfrentar tarifas abusivas e fortalecer soberania nacional

A recente nota da Embaixada da China no Brasil reacende uma pauta essencial para quem acredita na soberania nacional e no poder do Sul Global: a cooperação bilateral como antídoto às chantagens econômicas e às práticas imperialistas que ditam tarifas abusivas. Em tempos de crise diplomática com os Estados Unidos, quando Donald Trump despeja seu “tarifaço” sobre carnes, café e aço brasileiros, a reação de Beijing não poderia ser mais estratégica. Trata-se de avançar na construção de uma alternativa real ao monopólio ocidental e à intransigência de uma direita predadora que se curva aos interesses dos bilionários de além-mar.

Solidariedade Sul-Sul contra o cerco norte-americano

Depois de uma conversa telefônica entre Wang Yi, chefe do Gabinete de Assuntos Internacionais do Partido Comunista Chinês, e Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, ficou claro que os “irmãos do Oriente” não estão ali apenas para fechar negócios: querem fortalecer uma frente comum contra a imposição de tarifas punitivas e a desestabilização de economias emergentes. China e Brasil sempre se apoiaram mutuamente e cooperaram estreitamente, afirma o comunicado, ressaltando que, sob a “orientação estratégica de Lula e Xi”, os dois governos vislumbram uma “Comunidade de Futuro Compartilhado por um Mundo mais Justo e um Planeta mais Sustentável”.

“A China apoia firmemente o Brasil na defesa do seu direito ao desenvolvimento e na resistência à prática intimidatória de tarifas abusivas”, declarou Wang Yi, numa indireta bem direta à administração Trump. A ousadia é provocadora: enquanto existe quem creia que o Brasil deve ajoelhar-se diante dos mandatários de Wall Street, aqui estamos reforçando alianças que visam a concretizar uma verdadeira multipolaridade.

Desmontando o discurso conservador

É curioso observar como a narrativa da direita rasga elogios a “livre mercado” e “competitividade” quando se trata de defender os interesses do capital internacional, mas vira a cara para as mesmas bandeiras quando quem propõe parcerias comerciais não é o Tio Sam. Não é à toa que o bolsonarismo chora sobre o leite derramado toda vez que uma estatal demonstra eficiência, enquanto aplaude de pé a privatização de todo e qualquer ativo nacional. A China surge como alternativa concreta à submissão neoliberal, provando que dá para ampliar investimentos, garantir empregos e resistir às pressões protecionistas dos EUA.

Ao posicionar-se lado a lado com o Brasil, Beijing envia um recado às oligarquias locais e às corporações estrangeiras: aqui não tem espaço para tutela econômica. A defesa de uma ordem internacional baseada em regras é exatamente o que falta para dizimar de vez a arrogância do dólar como instrumento de coerção. Lula, ao não recuar diante dos ataques de Trump, dá um exemplo de fibra política que está longe de qualquer acordo de bastidores que só favoreça bancos e acionistas bilionários.

“Sob a orientação de nossos líderes, seguiremos comprometidos com o desenvolvimento e a inovação”, reforçou Wang Yi, apontando para a relevância de investimentos em tecnologia, energia limpa e infraestrutura. Nada de “reformas” que só servem para entregar a agricultura, a mineração e os serviços públicos aos rentistas de sempre.

O mais espantoso é ver setores supostamente “liberais” desta terra vociferando contra a China, como se fossem patriotas de araque, quando na verdade defendem o privilégio dos grandes grupos econômicos. Como acreditar em quem aplaude o arrocho salarial e denuncia como “intervencionismo” toda política de fortalecimento das estatais?

No fim das contas, essa guinada diplomática entre Brasil e China não é mero protocolo de boas maneiras. É um balde de água fria no projeto hegemônico do império do Norte, um gesto político que reforça a ideia de que há vida inteligente além do dólar. É também um chamado para que a esquerda brasileira retome a iniciativa estratégica e pare de fazer politica de joelhos, atolada em discursos morais que não passam de retórica de salão.

Enquanto Trump aplica novas tarifas, nós construímos pontes; enquanto a direita brasileira patina na negação da realidade global, o Brasil avança no terreno da solidariedade internacional. O resultado? Uma aliança que não só amplia o mercado de exportação, mas galvaniza um bloco alternativo, capaz de oferecer soluções reais para os desafios econômicos e ambientais. E é desse estreitamento de laços – promovido pela direção lúcida de Lula e pela firmeza de Xi Jinping – que nasce uma nova etapa de luta anticapitalista, ancorada na soberania nacional e na justiça social.

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