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Debate sobre adultização nas redes mobiliza direita e esquerda, revela levantamento

O debate sobre a chamada “adultização” de crianças nas redes sociais voltou a incendiar as conversas públicas — e não por acaso: trata-se de um tema que mistura denúncia legítima de exploração infantil com a política barata das bolhas digitais. Um levantamento da Palver, obtido pela GloboNews, mostra que o assunto mobilizou tanto a direita quanto a esquerda, mas com mudanças claras na correlação de forças entre os campos políticos ao longo dos últimos dias.

O que o levantamento mostrou

O estopim foi um vídeo do youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, que denunciou casos de exploração sexual infantil e discutiu a “adultização” de crianças na internet. Segundo a Palver, a repercussão cresceu rápido: enquanto, em um primeiro mapeamento, cerca de 40% das menções ao tema vinham de perfis ligados à direita e apenas 10% da esquerda, esses números se deslocaram para 30% e 18%, respectivamente, no levantamento seguinte. O campo despolitizado segue predominando, com cerca de 52% das mensagens. São mais de 110 menções a cada 100 mil mensagens nos grupos de WhatsApp monitorados — quase o dobro do que foi registrado dias antes.

“O racha visto no início se consolida ainda mais, com mais gente questionando as intenções do vídeo, inclusive com teorias da conspiração.” — Felipe Bailez, economista e CEO da Palver

A direita, na prática, reagiu com duas coisas previsíveis: críticas ao vídeo e teorias da conspiração sobre as intenções de quem o produziu. Tradução: quando o tema aperta e escancara problemas das redes e da mercantilização da vida, a turma do bolsonarismo corre para desconfiar do mensageiro. Não foi à toa que o estudo também aponta um aumento de críticas ao conteúdo vindas desse campo — sempre prontas a desviar o foco da denúncia para o debate sobre “quem lucra politicamente com isso”.

Por outro lado, a esquerda apresentou um discurso mais coeso, centrado na necessidade de regulação das big techs e na proteção efetiva das crianças nas plataformas. Sem o jogo de cena conspiratório, trouxe à tona demandas concretas: responsabilização das plataformas, investigação de redes de exploração e políticas públicas para proteger a infância. É um sinal de que o debate pode, sim, caminhar para medidas reais, se houver força política para isso.

A comparação com outro viral político ajuda a dimensionar o impacto: o estudo aponta que o engajamento sobre a “adultização” no WhatsApp superou o do vídeo do deputado Nikolas Ferreira sobre o Pix, que marcou janeiro com picos de 40 menções por 100 mil mensagens. A Palver usou palavras-chave como “Felca” e “adultização” e empregou uma plataforma similar ao ChatGPT para identificar a inclinação política dos grupos a partir das conversas — método curioso, mas que revela bem como as bolhas contam e se movem.

Que lição tirar disso? Primeiro, que a direita tenta sempre despolitizar ou deslegitimar denúncias que incômodam seus aliados e a lógica do lucro fácil nas redes — por que será que isso não surpreende? Segundo, que há uma janela para avançar em regulação e fiscalização das plataformas, algo que deve ser encarado com firmeza por quem defende o interesse público: o estado, as estatais e políticas públicas robustas são ferramentas essenciais para frear a mercantilização das crianças e das suas imagens. Não entregaremos esse debate aos conspiradores e aos empresários bilionários que lucram com a exposição e a precarização da vida alheia!

Se o governo convoca reuniões e a Câmara promete pautas sobre crianças nas redes, que não sejam encenações: é hora de transformar cliques e indignação em legislação que coloque limites, responsabilize plataformas e proteja as crianças de verdade. E, claro, que a esquerda — com o PT e com Lula, que devem se colocar como atores centrais dessa nova etapa — não se acovarde diante dos ataques e avance numa agenda anticorporativa que preserve o público contra a voracidade dos lucros privados. Quem diria: denunciar exploração infantil pode ser também o fio que nos leva à necessidade de um poder público forte e comprometido com os de baixo!

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