luta socialista

Em Brasília, autor de ‘Como as Democracias Morrem’ elogia reação das instituições brasileiras e critica falhas diante de Trump

Vivemos um daqueles momentos em que a verdade incomoda tanto a direita quanto os covardes de sempre — e quem diz isso com clareza é um acadêmico americano: Steven Levitsky, autor de Como as Democracias Morrem, veio a Brasília e fez o que muitos daqui não se atrevem a dizer em voz alta: as instituições brasileiras reagiram diante do bolsonarismo, enquanto boa parte da elite e de órgãos norte-americanos falharam diante de Trump. Não é elogio morno; é um puxão de orelha internacional que deixa os arautos do anti‑Estado e os bilionários de plantão nervosos. Afinal, alguém teve que dar a cara a tapa para defender a democracia — e não foi a elite americana.

“Eles ficaram de lado, eles correram e se esconderam. Em contraste, as instituições brasileiras se defenderam, defenderam a democracia”, disse Steven Levitsky. O soco na mesa é claro: enquanto a Suprema Corte americana teria atrapalhado esforços para parar Trump, aqui, nossos tribunais — por mais que inimigos jurados do povo e da esquerda os pintem como ‘autoritários’ — assumiram papel central na contenção do fascismo bolsonarista. Isso incomoda quem vive de teorias conspiratórias e quem lucra com a desestabilização do Estado.

O contraste e a hipocrisia internacional

Levitsky foi ainda mais cortante quando chamou a situação de irônica: “A grande ironia é que os Estados Unidos estão punindo o Brasil hoje por fazer o que os americanos deveriam ter feito. Como cidadão americano, eu me sinto envergonhado.” Sim, vergonha — e não é à toa. Enquanto Washington impõe tarifas e gestos econômicos para punir o país, há quem celebre o ataque à nossa soberania e use isso como pretexto para, mais tarde, privatizar estatais e entregar recursos estratégicos aos amigos do capital. Observem a contradição: o Brasil é criticado por ter defendido suas instituições enquanto a potência que deveria dar o exemplo se esquiva de suas responsabilidades democráticas.

Não é hora de moderação sentimental: defender estatais, fortalecer o aparelho público e garantir que nenhum miliciano em toga ou à paisana volte a destruir direitos são tarefas urgentes. E não venham com o velho clichê de que “tudo é judicialização da política” — lutar contra uma ameaça autoritária não é perseguição, é defesa da vida em sociedade.

Levitsky também destacou outro ponto importante: a memória histórica faz diferença. “A maioria dos americanos não entende a gravidade da ameaça que estamos enfrentando agora. Eles ainda acreditam que o autoritarismo não pode acontecer nos Estados Unidos de jeito nenhum. Os brasileiros não têm essa ilusão”, afirmou. A experiência latino‑americana com governos autoritários nos ensinou a reagir com firmeza. Aqui, setores progressistas e forças democráticas, inclusive o PT e a coalizão que apoia Lula, não ficaram apenas na retórica: mobilizaram, organizaram e pressionaram para que as instituições agissem. Isso é política de verdade — não a nostalgia de entreguistas que sonham com o mercado regulando vidas.

Enquanto isso, setores da imprensa e grupos financiados por bilionários de direita tentam transformar juízes e Ministério Público em vilões, quando muitos desses órgãos atuaram justamente para barrar um projeto de poder que prometia destruir o estado democrático e privatizar tudo até o sorriso sincero do povo. Se há críticas legítimas ao arbítrio judicial, que venham; mas não podemos confundir cega equivalência com compromisso com a democracia.

A luta agora é expandir essa vitória institucional para uma vitória social: políticas públicas, emprego, educação e serviços públicos fortes que deixem claro que o Brasil não é brinquedo para rentistas. Se a reação das instituições permitiu que Bolsonaro fosse contido, cabe à esquerda aprofundar a democracia com participação popular, fortalecimento do Estado e combate frontal ao projeto feroz da direita.

A lição que Levitsky trouxe não é pra nos envaidecer; é um alerta e um convite à ação. O mundo observa, os adversários se reorganizam sempre, e nossa tarefa é clara: não só preservar as instituições, mas transformá‑las em instrumentos de emancipação popular. Quem quiser confundir autoritarismo com autoridade democrática está do lado errado da história — e será varrido pelas próximas batalhas políticas e sociais que virão.

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