luta socialista

Gleisi Hoffmann confirma: Arthur Lira faz parte da base do governo Lula

A declaração da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, de que Arthur Lira “integra a base do governo” soou como um tapa de luva de pelica na cara da memória recente — afinal, Lira foi um dos pilares do bolsonarismo no Congresso e apoiou abertamente Jair Bolsonaro em 2022. A fala revela duas coisas óbvias: a política é fisiológica e o governo Lula foi obrigado a montar uma coalizão ampla para governar; e, também, que quem esperava uma purificação moral do parlamento a partir da vitória nas urnas subestima brutalmente a máquina do poder conservador.

“Acredito que pela posição do deputado Arthur Lira, inclusive que integra a base do governo, [ele] não tenha uma posição de contra o governo nessa matéria [da anistia]” – Gleisi Hoffmann

A ministra tentou justificar a proximidade por pragmatismo: sem aliança com parcelas expressivas do Congresso, projetos essenciais não passam. “Eu não posso brigar com o povo que elegeu o congresso como elegeu. Se nós fôssemos contar só com a nossa base que se elegeu junto com o presidente, nós não somos 130 deputados. Para aprovar um projeto com esse quórum é impossível”, disse Gleisi, defensora do cálculo de força necessário para aprovar medidas sociais. E, em tom quase de consagração, ainda elogiou o papel de Lira como relator do projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil: “Ele apresentou um relatório […] que nós gostamos, acho que é um relatório muito bom” – Gleisi Hoffmann.

Mas não se enganem: a presença de Lira na base não é motivo para relaxar a crítica. Arthur Lira presidiu a Câmara justamente no momento em que o bolsonarismo arquitetava ataques institucionais e buscava corroer a democracia. Ele foi aliado declarado de Bolsonaro, articulador de pautas reacionárias e — segundo reportagem do blog do Gerson Camarotti — responsável por empurrar para o texto da anistia a versão mais radical, que beneficia condenados por tentativa de golpe de Estado. “Para ministros do STF e integrantes do primeiro escalão do governo Lula, o grande articulador da pauta e responsável pela versão radical do texto da anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado é Arthur Lira” – Blog do Gerson Camarotti

E tem mais: Lira obteve autorização do ministro Alexandre de Moraes para visitar Bolsonaro em prisão domiciliar — gestos que confirmam afinidades e lealdades que não evaporam com decretos de boa vontade. “Arthur Lira recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes para visitar Bolsonaro” – Blog do Gerson Camarotti

Como militante e jornalista comprometido com a virada anticapitalista que o PT pode representar, eu digo: é preciso jogar duro na política e na mobilização social! Não dá para confundir negociação com capitulação, nem permitir que quem ajudou a financiar e sustentar o bolsonarismo venha agora carimbar sua frequência como se nada tivesse acontecido. Coalizões são necessárias, mas alianças com quem ajudou a desmontar a democracia exigem vigilância redobrada. Quem fecha acordo com Lira fecha acordo com o velho fisiologismo que protege privilégios e ataca os trabalhadores.

O governo Lula precisa seguir fazendo reformas sociais e defender estatais, serviços públicos e direitos básicos sem se esvair em concessões que enterram a memória das lutas recentes. Ao mesmo tempo, a esquerda deve ocupar as ruas, os sindicatos, as universidades e apostar na construção de uma hegemonia popular que não dependa exclusivamente de acordos com caciques. É paradoxal, mas necessário: usar a máquina do Estado para ganhar tempo e consolidar políticas públicas, enquanto se fortalece a base social que pressiona por transformações mais profundas.

O alerta é claro: não basta celebrar o governo pelo que já conquistou; é preciso combater, com firmeza e inteligência, as velhas oligarquias e suas ramificações no Congresso. Lula e o PT são centrais para essa etapa da luta — mas não podem nem devem ser inoculados com a ideia de que todo acordo é progresso. A disputa segue, e a tarefa da militância é transformar concessões táticas em vitórias estruturais para o povo. Quem insiste em fazer ponte com o passado reacionário tem de responder politicamente, nas ruas e no voto. Quem quer a democracia e avanços sociais, que se organize — e que não se deixe enganar por sorrisos institucionais.

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