luta socialista

“Lula declara operação inédita contra o PCC como maior resposta do Estado ao crime organizado”

A megaoperação Carbono Oculto foi muito mais do que mais uma batida policial: foi um tapa na cara da banalização do crime econômico que, por décadas, circulou livremente pelo país como se fosse um negócio legítimo. Quando o Estado decide mirar o coração financeiro das organizações criminosas e desfazer o nó que sustenta a impunidade, a política vira instrumento de defesa da sociedade — e isso é, sim, motivo para comemorar e radicalizar a luta contra quem protege e lucra com essas estruturas.

A Operação Carbono Oculto

A mobilização envolveu cerca de 1.400 agentes das polícias estaduais e da federal, atuando simultaneamente em oito estados — São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mais de 350 pessoas e empresas foram alvo de mandados de prisão e busca e apreensão. Segundo as investigações, o esquema sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e adulterou combustíveis vendidos em ao menos 300 postos apenas no estado de São Paulo — e o setor estima que 30% de todos os postos no estado tenham sido atingidos. Como se não bastasse, o PCC teria controlado 40 fundos de investimento com patrimônio superior a R$ 30 bilhões. É o velho truque: migrar da violência explícita para a suposta respeitabilidade dos mercados.

Como o presidente Lula resumiu, em redes sociais, foi “a maior resposta do Estado ao crime organizado de nossa história até aqui”. “A maior resposta do Estado ao crime organizado de nossa história até aqui” – Luiz Inácio Lula da Silva Que ninguém interprete como mera bravata: é a escolha política de um governo que entende que não se combate crime só com polícia, mas com articulação institucional capaz de desmantelar o fluxo do dinheiro sujo.

Chegar ao “andar de cima”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi direto: a ação conseguiu atingir o que muitos esquemas pensavam intocável — o topo das operações financeiras. “A operação conseguiu chegar ‘ao andar de cima’ do crime organizado” – Fernando Haddad Ele também alertou para a sofisticação do sistema: R$ 52 bilhões de organizações criminosas teriam transitado por fintechs nos últimos quatro anos. “A fiscalização da Receita Federal tem que ser colocada à disposição dos órgãos de combate ao crime organizado, porque a sofisticação do crime organizado hoje exige da parte da Receita que nós consigamos decifrar o caminho do dinheiro, que é muito sofisticado” – Fernando Haddad

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ressaltou outro ponto que a esquerda tem batido na tecla há tempos: essa migração da ilegalidade para a legalidade é real e exige resposta integrada. “Para combater esse fenômeno, não basta mais apenas uma operação, ou várias operações de natureza policial. É preciso uma atividade integrada de todos os órgãos governamentais, e nesse caso os órgãos fazendários, da Receita Federal, são imprescindíveis nessa tarefa” – Ricardo Lewandowski

Não é hora de aplausos tímidos: é hora de avançar contra os mecanismos que protegem esses criminosos! O que se viu na Carbono Oculto foi um trabalho conjunto que atingiu o núcleo financeiro que sustenta práticas criminosas — e isso precisa virar regra, não exceção.

O governo já sinalizou que o combate ao crime organizado será central nas propostas legislativas: a PEC da Segurança Pública, que amplia o papel da União e inclui guardas municipais como parte da política de segurança, e o pacote apelidado pelo Executivo de “Plano Real da Segurança”, que muda dez leis para elevar penas, criando até o conceito de “organização criminosa qualificada” com penas que podem chegar a 20 anos. Isso mostra ambição política — e também a necessidade de combinar repressão com prevenção, políticas sociais e controle efetivo dos fluxos financeiros.

O país não aguenta mais que o crime se disfarce de mercado nem que a direita demagoga trate tudo como guerra simbólica para se manter no poder. Precisamos transformar sucesso operacional em política estrutural: fortalecer estatais, blindar órgãos fiscalizadores, taxar e quebrar redes financeiras suspeitas, e, sobretudo, manter a pressão social por medidas que ataquem as raízes do poder criminoso.

O que a Carbono Oculto demonstrou é que é possível ir além das narrativas do medo e das soluções punitivas simplistas. Com coordenação, coragem política e vontade de fortalecer o Estado democrático, podemos não só desmontar quadrilhas milionárias, mas também recuperar soberania sobre setores estratégicos — e golpear os interesses daqueles que lucram com a desordem e a privatização do país. E aí, quem está disposto a seguir na luta de verdade?

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