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Lula responde Trump: Brasil não fica de joelho e desmente acusações de mau parceiro comercial

O presidente Lula deu uma resposta seca e necessária ao espetáculo de hipocrisia que veio da Casa Branca: o Brasil não vai se curvar aos ditames do imperialismo americano nem se deixar enfeitiçar por narrativas anti‑patrióticas que servem apenas para proteger aliados de direita em apuros. Enquanto Trump tenta vender ao mundo a versão de que o Brasil é um “péssimo parceiro comercial”, aqui seguimos defendendo soberania, empregos e as estatais que garantem um mínimo de planejamento para o país.

O confronto verbal e econômico

“É mentira quando o presidente norte‑americano diz que o Brasil é um mau parceiro comercial. O Brasil é bom, só não vai andar de joelho para o governo americano” — Luiz Inácio Lula da Silva. Que declaração mais correta! Lula não só rebate a tentativa de humilhação diplomática como coloca na mesa o que deveria ser óbvio: soberania nacional não é barganha.

Do outro lado, Trump despejou o mesmo repertório chauvinista de sempre: “O Brasil tem sido um péssimo parceiro comercial em termos de tarifas — como você sabe, eles nos cobram tarifas enormes… basicamente, nós nem estávamos cobrando nada” — Donald Trump. Traduzindo: quando convém, o presidente dos EUA desliza para a retórica protecionista e, quando convém, veste a capa do salvador das “boas práticas democráticas” para proteger amigos. Ah, e ainda teve quem defendesse Bolsonaro como vítima de uma “execução política”: “Eu acho que ele é um homem honesto… isso é realmente uma execução política que estão tentando fazer com o Bolsonaro” — Donald Trump. Ridículo e criminoso!

Não é preciso muito para desmontar o blá‑blá: dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil mostram que 48% das exportações dos EUA ao Brasil chegam sem imposto e 15% têm taxação de até 2%. “Grande parte do que o Brasil importa dos EUA é isenta de imposto — aeronaves e peças, petróleo bruto e gás natural, por exemplo; mesmo quando há uma alíquota vigente, existem regimes aduaneiros especiais que reduzem ou eliminam a cobrança” — Amcham Brasil. Além disso, o Brasil acumulou déficit na relação comercial com os EUA, superior a US$ 28 bilhões em 2024 (MDIC). Em vez de apontar essas nuances, Trump prefere o teatro. Por quê? Porque para a direita, manipular fatos é instrumento político.

O governo brasileiro não aceitará mais sermões de quem tem ouro demais no bolso e vergonha pouca demais na política externa. Lula entendeu que a palavra não basta: é preciso posicionamento político que defenda o Brasil perante pressões externas e internas. E isso inclui confronto com bolsonarismo e com tentativas de reabilitar o capitão autoritário como “perseguido político” — narrativa que só existe para blindar os privilégios da extrema direita.

A campanha de Trump em defesa de Bolsonaro expõe uma aliança clara entre oligarquias: policialar o debate democrático, privatizar tudo, desmontar estatais e garantir que megacorporações continuem lucrando enquanto o povo paga a conta. Nós, que lutamos por um projeto popular e anticapitalista, não podemos ceder terreno a esse delírio neoliberal. Defender a democracia é também defender que o Estado atue em setores estratégicos e que a agenda econômica sirva ao povo e não aos bilionários.

O choque de falas entre Lula e Trump revela mais que um desentendimento diplomático: é a luta entre dois modelos de país e de mundo. De um lado, a chantagem geopolítica do império e sua aliaça com as direitas autoritárias; do outro, uma tentativa — ainda insuficiente, mas necessária — de dizer que o Brasil pode e deve escolher seus próprios caminhos. Que fique claro: não ser submisso ao Tio Sam não é xenofobia — é política! E, acima de tudo, é uma decisão estratégica para buscar alianças que ampliem desenvolvimento, emprego e soberania. Seguimos na trincheira dessa batalha.

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