O prazo para as defesas no processo que apura a tentativa de golpe do bolsonarismo terminou e o relógio político começa a apertar: o relator Alexandre de Moraes já tem a bola nas mãos para pedir ao presidente da Primeira Turma, o ministro Cristiano Zanin, que marque a data do julgamento. A Procuradoria-Geral da República não economizou nas palavras: classifica Jair Bolsonaro como o “principal articulador, maior beneficiário e autor” das ações voltadas à ruptura do Estado Democrático de Direito — uma acusação pesada que agora segue rumo ao crivo do Supremo. Não se trata apenas de um caso jurídico: é um teste ao futuro da democracia no Brasil.
Calendário, manobras e previsões
Nos bastidores, quem frequenta o tribunal lembra de um cuidado que tem sido preservado desde que Zanin assumiu a presidência da Turma: um intervalo mínimo de cinco dias entre a inclusão do processo na pauta e o início do julgamento. A lógica é simples — evitar alegações de surpresa e acusações de que a corte corre para resolver um caso de alta repercussão. Segundo ministros consultados, esse não é um dispositivo do regimento, mas virou prática. Com isso em mente, os cálculos internos apontam para o início de setembro como a janela mais provável para o confronto em plenário. Quem pensava que a justiça seria rápida, quebrou a cara — e alguns até fazem de conta que preferem demora.
“Desde que assumiu a presidência da Primeira Turma, Zanin adotou a prática de manter um intervalo mínimo de cinco dias entre a inclusão de um processo na pauta e o início do julgamento,” disse um ministro do STF, em conversa com integrantes do tribunal. Essa cautela processual, porém, convive com as esperanças e as estratégias paralelas do centro-direita que ainda respira por aparelhos: advogados de Bolsonaro já trabalham com a hipótese de que, se houver condenação, o Supremo poderia conceder prisão domiciliar. “Se o STF decidir por uma condenação, é provável que concedam prisão domiciliar,” declarou um dos advogados que acompanha o caso.
Além disso, há quem espere uma nova cartada protelatória: o pedido de vista do ministro Luiz Fux, que poderia alongar os prazos e empurrar a decisão para bem depois do início do semestre político que vem. São manobras previsíveis de uma direita que sabe que a opinião pública está de olho e quer ganhar tempo para tecer narrativas. Tempo que, sabemos, é um luxo que a democracia não pode sempre conceder aos que a atacaram.
No plano da política, o caso traz pistas sobre o futuro das forças em disputa. O esvaziamento do bolsonarismo nas ruas e o isolamento dos seus líderes não significa que o perigo acabou; ao contrário, exige que a esquerda se organize e pressione por julgamentos firmes e pela defesa das instituições públicas. Aqui não cabe neutralidade: é preciso derrotar politicamente as redes que financiaram e articularam o projeto golpista. O momento exige firmeza contra privatizações e um compromisso real com as estatais que defendem a soberania popular — e nesse terreno, Lula e o PT têm papel central.
A imprensa e os movimentos populares devem ficar vigilantes. O processo na Primeira Turma é um teste para o Judiciário, mas também para a sociedade. Vamos acompanhar de perto, sem ilusões nem complacência: o que está em jogo é se a justiça dará respostas à altura ou se o bolsonarismo continuará tentando se refugiar em recursos e manobras para escapar das consequências políticas e penais. Quem acha que basta esperar e deixar a coisa andar por si está subestimando o inimigo — e isso, caros leitores, já sabemos onde termina.
Por fim, não se enganem: a defesa da democracia exige luta. É hora de pressionar por transparência, defender o papel das instituições e fortalecer a unidade popular em torno de um projeto que não entregue o país aos bilionários e ao capital privado. O julgamento pode até ser só no início de setembro, mas a batalha política começa agora. Quem vai ficar parado assistindo? Quem vai agir?